23 de agosto de 2015

Déjà vu

E pronto. O jogo já foi ontem e ainda estou com uma sensação de déjà vu que tarda em terminar. Em 2011, no primeiro ano de Godinho Lopes e consequente desfile de "estrelas" contratadas a toque de um cheque e vassoura e colocadas nas mãos do treinador da moda de então, Domingos Paciência, o choque com a realidade aconteceu logo na 1ª jornada, quando empatámos em casa com o Olhanense e com algumas razões de queixa da arbitragem de Xistra. Juntando algum lamúrio de Domingos relativo à prestação de Xistra à apresentação pública por parte de Godinho Lopes de um documento com melhorias para a arbitragem na semana antes, tivemos a infame greve de árbitros aos jogos do Sporting.

Avançamos para 2015 e temos, à 2ª jornada (!), um empate em casa com o Paços, queixas dos sportinguistas à arbitragem do árbitro do encontro, o portuense Manuel Oliveira e ainda umas pedras atiradas à viatura do sujeito no final do encontro. Um déjà vu interminável. Um loop atormentador.


Existem agora duas linhas de pensamento dominantes (uma mais que outra) após mais um empate caseiro do Sporting na história da Liga "Mickey Mouse" Portuguesa. Uma, mais radical, que diz que o Sporting se "pôs a jeito" e que já sabia com o que contar, que devíamos estar avisados e que jogámos pouco para podermos justificar o empate com a (má) arbitragem. A outra, mais mainstream, é que fomos, mais uma vez, "roubados". Li no Twitter uma boa justificação para quem pensa assim e que diz mais ou menos o seguinte "Aqueles que dizem que por o Sporting ter jogado mal, mereceu ser roubado pelo árbitro, são aqueles que dizem que a culpa das mulheres serem violadas é por vestirem mini-saias". Algo nesta linha. Mas, digo eu, se fosse mulher e tivesse sido violada 27 vezes na rua X e continuasse por lá a passear à noite de mini-saia, provavelmente todos me chamariam de estúpida ou ninfomaníaca.


Ora, neste caso, eu alinho-me mais com os radicais. Em janeiro, chove muito e faz frio. É por isso que não saímos para rua de calções nem de t-shirt. Na Luz o Luisão faz penalties e não é expulso e em Alvalade o Tobias (e João Pereira...) faz e é expulso. É a regra não-escrita da Liga "Mickey Mouse" Portuguesa. Eu sei disso, tu sabes disso, nós sabemos disso, todos deveriam saber disso! Inclusive Jorge Jesus. Se não sabe ou não queria saber, espero que o jogo de ontem, finalmente, o tenha feito perceber que não há #colinho em Alvalade. Nunca houve.

Como combater as más arbitragens?

Quando saio para rua em janeiro, além de não vestir t-shirt nem calções, calço umas botas ou algo bem impermeável. É inadmissível colocarmos ao dispor de 80% das equipas que nos visitam um relvado de merda, propício ao jogo de luta, de combate corpo-a-corpo, onde a bola não rola e onde, sempre que um jogador do Sporting tem de parar para a receber, logo recebe uma "faltinha" de um jogador adversário e que, além de matar logo ali a jogada, é apenas uma "faltinha" e nunca uma falta merecedora de cartão amarelo, como provavelmente seria caso tivesse sido feita sobre um jogador do Sporting em velocidade.

Corrijam-me se estou errado, mas creio que a última mudança de relvado em Alvalade foi ainda no tempo do Paulo Bento ("Não sou eu que trato da relva") e desde então temos tido sempre relvados de merda. Cem mil euros o custo de mudança de um relvado?? Foda-se, eu prefiro 10 relvados novos em 10 anos do que 1 Sarr por uma época!! É inacreditável!! Enquanto se olhar para a merda do relvado como uma despesa e não como um investimento, nunca, repito, nunca seremos reais candidatos ao título de campeão nacional. O "relvado" de Alvalade é uma vergonha, uma merda. Imaginem uma passagem de modelos feita num passeio de calçada portuguesa em Lisboa.


A Sara Sampaio de saltos altos cairia mais neste passeio ou no relvado de Alvalade?


É óbvio que "isto" não se resolverá tudo apenas com uma mudança de relvado mas não tenho dúvidas que ajudaria imenso... Os relvados de merda estão para as equipas de merda como o doping está para os batoteiros.

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